| A Ilusão das Aparências |
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| Escrito por Wellington Fugisse |
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"Pois este ungüento podia vender-se por grande preço, e dar-se o dinheiro aos pobres." (Mt 26:7, Jo 12:5)
Jesus foi visitar uma família amiga, a família de Lázaro, aquele a quem Jesus ressuscitou dos mortos. Em uma outra ocasião, visitando a mesma família, Marta e Maria estavam a ouvir o mestre. Marta estava atarefada com os cuidados da casa, enquanto Maria, sua irmã, assentada aos pés de Jesus, ouvia tudo quanto o mestre dizia, sem perder o menor detalhe. Marta ficou furiosamente indignada com a preguiça santa da irmã, e foi reclamar a Jesus dizendo: "Jesus, não se importa que eu esteja tão atarefada e minha irmã não me ajude?". Jesus então responde: "Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas, mas uma só é necessária"(Lc 10:41). O interessante dessa história é que ao nos colocarmos na posição de Marta, a maioria de nós sentiria o mesmo em relação a Maria, sem entender que a única coisa realmente necessária é ouvir a Palavra de Jesus, todo o restante é trivial. Além do mais, Jesus nunca julga uma situação ou as pessoas pelas aparências, mas pela realidade do coração. Marta estava trabalhando em prol de servir os demais, todavia seu coração estava amargurado e enfurecido em fazê-lo. O gesto era agradável, mas seu coração estava amargurado. Todo este fardo e esta ansiedade deveriam ser colocados nas costas de Jesus, porque ele tem cuidado de nós. Pense comigo: Se marta tivesse descansado aos pés de Jesus como Maria, e ao final do dia todos estivessem com fome, talvez houvesse mais um milagre alimentar a ser descrito no Novo Testamento. Agora, em um outro momento, lá estava Jesus novamente, reunido com Lázaro e suas irmãs, desta vez estavam também seus disípulos à mesa. Marta continua com a mesma atitude servil (Jo 12:2), embora não saibamos se seu coração continua amargurado. Maria continua com a atenção voltada para Jesus, visto que traz consigo um nardo caríssimo e derrama aos pés do mestre, sem importar-se com o preço caro do nardo, com a opinião dos discípulos, ou de sua irmã rude, e enxuga os pés do mestre com os cabelos em um gesto de total derramar dela mesma, em uma entrega total de adoração, um gesto espontâneo e belo, um gesto de amor genuíno. Desta vez não é Marta que quer repreendê-la, mas Judas Iscariotes, que afirma estar acontecendo um desperdício tenebroso, um gesto de total egoísmo, pois esse nardo poderia ser vendido para ajudar muitos pobres! Qualquer um de nós poderia entender a coerência dos argumentos de Judas! Somos capazes até de acreditar que ele está certo, pois também somos tentados a julgar as situações segundo as aparências, todavia, a Palavra nos afirma que as reais intenções de Judas eram roubar uma parte do dinheiro adquirido com a venda do nardo (Jo12:6), não ajudar aos pobres! Aprendemos então que todas as vezes que julgamos pessoas ou situações com base somente nas aparências, nas obviedades, no que está na cara, podemos estar profundamente enganados, pois a dimensão interior da intenção por trás da ação exterior, é que define se uma atitude é boa ou má. Aos olhos de Marta, Maria era uma preguiçosa que estava fugindo do serviço, aos olhos de Jesus, Marta estava usando do trabalho para fugir de si mesma. Segundo Judas, muito dinheiro estava sendo desperdiçado, segundo Jesus, não adianta ao homem ganhar todo o dinheiro do mundo e perder sua alma, como Judas a perdeu. Maria estava alimentando sua alma, avivando seu espírito aos pés de Jesus, visto que não existe melhor lugar no mundo para se estar, e Maria sabia disso. Quem está aos pés de Jesus não tem tempo para exercer um julgamento acusador sobre o outro, pois está tão voltado para Jesus em adoração, tão cheio da Palavra dele, tão consciente da misericórdia recebida, que simplesmente não tem tempo para tal. Quem está aos pés de Jesus recebe luz e espalha esta luz pelo mundo, está cheio de misericórdia e espalha esta misericórdia, está cheio de amor. Estejamos todos aos pés de Jesus! |










